sábado, 5 de fevereiro de 2011

Corintianos distribuem panfletos com manifesto pedindo saída de jogadores
Por: Guilherme Palenzuela e Rodrigo Vessoni no Lancenet
05/02/2011
Alto valor do ingresso também é motivo de revolta (Foto: Tom Dib)
Uma das torcidas organizadas do Corinthians já iniciou protesto na frente do Centro de Treinamentos Dr. Joaquim Grava. A “Resistência Corinthiana 777″ está distribuindo panfletos com um manifesto.
Os principais pedidos dos torcedores são os desligamentos de membros da diretoria e comissão técnica e a demissão de alguns jogadores do elenco.
Leia na íntegra o manifesto:
Devolvam o SCCP a seu Povo
A Nação Corinthiana está perplexa. Alcançamos Fevereiro de 2011 em fúria. O Sport Club Corinthians Paulista vive momento único de humilhação, desmando e destruição de sua cultura e tradição.
O Corinthians nasceu para ser o time do povo. E para ser por ele construído, conforme estabeleceram os heróis fundadores, no Bom Retiro, em 1910.
Hoje, no entanto, esses valores estão sendo solapados por uma política interna de elitização, loteamento e apropriação indébita.
O clube que orgulhosamente nasceu dos operários, carroceiros e lavadeiras mantém hoje um vergonhoso regime de “apartheid”, no qual a maior parte dos ingressos é reservado aos mais favorecidos.
Os mais humildes, muitas vezes os mais apaixonados pelo Timão, são trancados do lado de fora dos estádios. Para os dirigentes do clube, essa segregação é inevitável e chique.
Lamentável que se patrocine na agremiação um processo contrário àquele em curso no país. Se o Brasil incluiu milhões de cidadãos, Andres Sanchez e L. P. Rosenberg excluem.
Esse desvario elitista afasta hoje até mesmo a classe média dos estádios. Ingressos de setores como a Especial Laranja tiveram aumento de até 500% nos últimos anos.
Isto é um acinte, um atentado contra os pilares da estabilidade econômica.
Muitos desses fiéis de razoável poder aquisitivo foram obrigados a migrar para as arquibancadas e tobogã do Pacaembu, obviamente reduzindo os lugares destinados aos trabalhadores de menor poder aquisitivo.
Essa prática sistematizada de elitização tem esvaziado as áreas de público nas laterais do campo. Dessa forma, reduziu-se tremendamente o impacto do fator torcida nas partidas do time.
Todo esse projeto de desvirtuamento tem origem numa visão atrasada, tola e ultrapassada do negócio-futebol. Sanchez e Rosenberg copiam no microcosmo os idiotas especuladores que meteram o mundo na crise de 2008-2009.
Num momento em que o mundo empresarial trata de desenvolvimento humano sustentável, inclusão social e abertura de novos mercados, o Corinthians regride historicamente, reduz seu contingente de fiéis-torcedores-consumidores efetivos e estreita seus horizontes de crescimento consistente na obtenção de receitas.
Num período em que milhões de brasileiros ascenderam à classe C, a equivocada política corinthiana é de fidelizar prioritariamente os representantes da classe A.
Não há dúvida de que um clube moderno necessita de recursos, mas eles são meio e não fim.
Um clube de futebol existe para dar alegria e satisfação a sua gente, e não para enriquecer grupos criminosos de interesse ou espertalhões de boa lábia.
Nesse processo de desconstrução violenta da cultura corinthiana, o que era da imensa Nação foi repartido entre grupos de cartolas e agentes sequiosos por predar o patrimônio do Corinthians, o que inclui seus ativos intangíveis.
Esse loteamento constituiu pequenas máfias que controlam, sobretudo, a contratação de atletas. O que está em jogo atualmente é o business particular, e não o interesse da Fiel Torcida, verdadeira dona da instituição.
Hoje, o clube gasta milhões com jogadores descompromissados, incapazes ou simplesmente inativos. É a maior folha salarial do Brasil.
Se recebem fortunas todo mês, é fato que esses valores provêm do investimento de cada corinthiano em ingressos, produtos licenciados ou aquisição de produtos de patrocinadores diretos e indiretos.
Se não há justa retribuição em forma de trabalho e dedicação, caracteriza-se apropriação indébita dos recursos da Nação Corinthiana.
São muitos os exemplos desse descaso com os verdadeiros mantenedores do clube.
No Campeonato Brasileiro de 2009, não houve o devido empenho, tampouco disciplina organizativa. Assim como no Paulista de 2010, na Libertadores de 2010 e no Campeonato Brasileiro de 2010.
Nesse último, a república dos marajás usurpadores fugiu a suas responsabilidades no momento crucial do torneio, desperdiçando a chance de oferecer à torcida o merecido presente do Centenário.
E, pior, como proeza, empataram com o Goiás C no último jogo, o que nos atirou de modo infame na Pré-Libertadores.
Não é preciso relembrar o que ocorreu nessa disputa. A Fiel foi humilhada por um grupo desordenado de atletas abobados, sem vontade, sem garra e sem qualquer compromisso com nossa tradição de luta.
Uma das maiores vergonhas de nossa história.
Em vista desta completa descaracterização, a Fiel Torcida exige mudanças imediatas na gestão do clube.
• Devolução imediata do Corinthians a seus proprietário de direito: o povo!
• Desmantelamento dos grupos de extração predatória que tomaram de assalto o SCCP, o que inclui cartolas e seus parceiros externos.
• Demissão imediata dos inúmeros atletas que servem de eixo no processo sistemático de apropriação indébita dos recursos da Nação Corinthiana.
O mais valioso ativo do Sport Club Corinthians Paulista é sua gente e sua espetacular tradição de luta, mestiçagem, dedicação e solidariedade.
Essas virtudes é que fizeram nosso Corinthians tão amado (e tão odiado). Elas definem nossa marca, a mais valorizada no futebol brasileiro.
Elas exprimem nosso jeito único de pensar, agir e ser, em conformidade com o espírito de união fraterna dos heróis fundadores.
Portanto, tirem suas mãos infectas do nosso Corinthians. Devolvam-no a seu povo! Já!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ministra dos Direitos Humanos vem ao Recife para ato em homenagem ao advogado assassinado Manoel Mattos



Da assessoria

O ato pelos 2 anos do assassinato do Advogado Manoel Mattos será nesta sexta-feira, 04/02, na sede da OAB Recife às 13h30.
 
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, chega ao Recife nesta sexta-feira, para participar no auditório da OAB-Recife, de um ato que vai marcar dois anos da morte do advogado e ex-vereador de Itambé, Manoel Mattos.
 
Mattos, defensor incansável dos Direitos Humanos, foi morto por pistoleiros em janeiro de 2009, no litoral paraibano. Ele denunciava a atuação de grupos de extermínio nos municípios de Pedras de Fogo (PB), Itambé e Timbaúba (PE), e vivia sob constante ameaça de morte.

O caso de Mattos foi o primeiro no Brasil a ser federalizado por grave violação dos Direitos Humanos, por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Para o deputado Fernando Ferro, de quem Mattos era assessor e amigo pessoal, é uma decisão histórica e abre uma nova perspectiva para os defensores dos direitos humanos. "É uma grande conquista política na luta dos direitos humanos, uma conquista que acontece pela primeira vez no Brasil e que abre espaço para que os defensores dos direitos humanos sejam mais resguardados. A decisão do Tribunal faz justiça contra uma barbaridade cometida com Manoel de Mattos", afirmou Ferro.
Postado por Ana Laura Farias
04/02 - ATO DOIS ANOS DO ASSASSINATO DO COMPANHEIRO 
MANOEL MATTOS




Ás 13.30 horas, na sede da OAB Recife, amanhã, dia 04/02, será realizado um ato pela passagem do segundo ano do assassinato do advogado, militante dos direitos humanos e membro da Executiva Estadual do PT-PE, companheiro MANOEL MATTOS. 

O ato contará com a presença da Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário,  confirmando  o compromisso do governo da Presidenta Dilma Roussef com a causa dos direitos humanos.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Agora ninguém deixará de falar ou defender o governo por falta de informações", diz Sinézio



O líder de governo na Câmara do Recife, o vereador Josenildo Sinésio (PT), avaliou positivamente o encontro que teve entre a bancada do partido com o prefeito João da Costa, na Prefeitura do Recife. O parlamentar comentou que a antiga falta de comunicação entre Costa e os vereadores é um caso superado. "Não haverá mais problemas (falta de comunicação entre prefeitura e Câmara). Foi entregue um conjunto de informaçõess de tudo o que a Prefeitura do Recife faz e a alimentação vai ser feita diariamente pela Comunicação aos vereadores", garantiu.

Josenildo Sinésio reconheceu que a postura do prefeito anterior do prefeito gerou reclamações por parte dos vereadores. "Construímos uma estratégia de socializar as informações. Agora ninguém deixará de falar ou defender o governo por falta de informações", disse o petista. O vereador confirmou que prefeito e bancadas aliadas manterão constantes encontros para afinar o relacionamento e que no almoço, além da reaproximação, foi discutido o momento da atual conjuntura política, o início dos trabalhos legislativos, a atuação da bancada na Câmara, a unidade do PT com os aliados e a importância de estar unidos como governo nas três esferas políticas.

"O que se levantou foi a necessidade de sempre ter esses encontros, para estreitar cada vez mais a relação e estruturar a unidade. Mal a gente falou e o prefeito disse estar aberto para isso", comentou Josenildo. Quanto ao almoço em si, o petista gostou muito e afirmou que foi "simples e humilde, como é o almoçõ do PT".

Blog da Folha de Pernambuco
          EGITO
Os militantes esperam nas coxias 
Por: Syed Saleem Shahzad*, no Asia Times Online. Tradução: Vila Vudu
1/2/2011

Foto Al Jaazera
ISLAMABAD. Não há força de oposição no Egito, ainda que se considere a Fraternidade Muçulmana, suficientemente organizada, nesse ponto, para assumir o poder no caso de as manifestações públicas em marcha nas principais cidades do Egito levarem ao fim do governo de Hosni Mubarak e à queda do presidente.
Até agora, os protestos não apresentaram demandas estruturadas, além de clamarem pela queda de Mubarak, 83, há 30 anos no poder.
Um dos coringas do drama que se desenrola no Egito – onde um milhão de manifestantes tomam as ruas do Cairo hoje – são os cerca de 15 mil ex-militantes que foram libertados pelas cortes nos últimos dez anos, mas permanecem nas listas de observação dos serviços de segurança e agências de inteligência egípcios.
“Mártires são necessários para eventos, e eventos são necessários para revoluções. E sem revoluções não há avanço” disse hoje o destacado analista político paquistanês Farrukh Saleem no The News International. “Há revolução quando o descontentamento público leva ao rompimento da ordem estabelecida. As revoluções são espontâneas, com raízes em áreas política e economicamente desassistidas. As revoluções começam fora dos centros de poder, em áreas nas quais o mando do Estado seja fraco; depois, as revoluções movem-se na direção do centro do poder.”
Os milhares de militantes foram cercados e caçados entre o final dos anos 1990 e o início de 2001 por Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência, que essa semana foi nomeado vice-presidente. Se o aparelho de segurança do governo Mubarak entrar em colapso, aqueles militantes bem podem ter o que dizer sobre a direção para a qual o país deve andar.
A maioria dos militantes pertencem ao grupo al-Gamaa al-Islamiyya e a inúmeras organizações clandestinas que brotaram durante e depois da Jihad afegã contra a União Soviética. Promoveram muita agitação no Egito ao longo dos anos 1980 e 1990, quando sequestros e ataques a turistas e contra as forças de segurança eram rotina.
A maioria dos grupos foram brutalmente dizimados pelos serviços de segurança; centenas de militantes foram executados, milhares metidos em prisões e vários milhares foram libertados depois de cenas de arrependimento e confissões públicas, obrigados, mesmo assim a apresentar-se regularmente às autoridades policiais para controle.
Esses militantes, com possivelmente centenas de outros que escaparam das prisões nos últimos dias, estão agora misturados à multidão pelas praças, com as forças de segurança obrigadas a enfrentar o que muito provavelmente é o maior desafio que jamais enfrentaram no Egito.
Durante o fim de semana, pela primeira vez desde o início das manifestações, semana passada, apareceu um primeiro sinal de atividade dos militantes islâmicos nas ruas, quando pelo menos quatro prisões foram atacadas e centenas de militantes islâmicos presos foram libertados. É amostra clara da vulnerabilidade de um aparato de segurança conhecido pela brutalidade.
O exemplo do Paquistão
No início dos anos  2000 no Paquistão, o regime o ex-presidente general Pervez Musharraf atacou duramente organizações militantes como Sepah-e-Sahabah, Harkatul Mujahideen, Laskhar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammad. E tomaram-se medidas estritas para evitar que os membros desses grupos se unissem a grupos ligados à al-Qaeda.
Apesar disso, o início de atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais do país mobilizou imediatamente aqueles militantes, e não houve mecanismos das estratégias de contraterrorismo que os detivesse e, sim, eles logo apareceram aliados à al-Qaeda para lutar contra o establishment.
No Iêmen, o quadro é semelhante. As operações anti-al-Qaeda no início dos anos 2000 praticamente eliminaram a al-Qaeda no país. Mas imediatamente depois que alguns líderes militantes iemenitas escaparam da cadeia, começou a haver atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais – e essa ação despertou muitas células de militantes adormecidas em todo o Iêmen.
O Egito tem longa história de militância política de resistência, por mais que tenha permanecido adormecida há muitos anos. Emergiram facções militantes imediatamente depois do assassinato de Hasan al-Banna, fundador da Fraternidade Muçulmana, em 1948. O golpe militar e a consequente chegada ao poder do general Gamal Abdel Nasser em 1956, auxiliado por militares ligados à Fraternidade Muçulmana, reunificou a Fraternidade por algum tempo, a qual então se havia dividido em pelo menos três facções.
Depois, as diferenças que começaram a brotar entre Nasser e a Fraternidade levaram a longo período de repressão, que durou até meados dos anos 1960, quando a Fraternidade desistiu oficialmente da militância armada e abraçou as vias democráticas.
No início dos anos 1970, a Fraternidade Muçulmana e grupos de militância islâmica pareciam relíquias de museu, mas voltaram à vida no final dos anos 1970 e, no início dos anos 1980 já estavam capacitados para, sob o comando de Ayman al-Zawahiri, planejar um golpe de Estado. O golpe falhou por vários motivos, mas os militantes conseguiram assassinar o presidente Anwar Sadat em 1981.
Estudo atento da história da militância islâmica no Egito mostra que, embora tenha sido esmagada várias vezes, ela sempre renasce, mesmo que depois de muito tempo.
Depois do assassinato de al-Banna, os movimentos militantes surgiram como reação ao crime. Do final dos anos 1950 até os 1960, a militância assumiu traços de fundamentalismo extremamente ideológico e declarou que o Egito seria sociedade de hereges. Foi o início de uma rebelião, mas foi controlada até meados de 1970, quando o reatamento de relações diplomáticas entre Egito e Israel deu novo alento aos militantes, ação que culminou com o assassinato de Sadat.
Jihad afegã nos anos  1980 deu nova dimensão à militância islâmica, que trabalhou por uma revolução islâmica no Egito. Mas no início dos anos 2000, as autoridades outra vez retomaram o controle.
Agora, aí estão os protestos de massa gigantes no Egito, e a militância pode renascer – dessa vez, com uma outra dimensão: nos palcos de guerra do Afeganistão e do Iraque, as guerrilhas são lideradas pelo campo egípcio controlado pela al-Qaeda, e o levante nas ruas do mundo árabe pode garantir popularidade sem precedentes ao radicalismo. (Ver “Al-Qaeda’s unfinished work” [O trabalho não concluído da Al-Qaeda], 1/2/2011, Asia Times Online, em português, aqui].
*Syed Saleem Shahzad é editor-chefe da sucursal de Asia Times Online no Paquistão