quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ministra dos Direitos Humanos vem ao Recife para ato em homenagem ao advogado assassinado Manoel Mattos



Da assessoria

O ato pelos 2 anos do assassinato do Advogado Manoel Mattos será nesta sexta-feira, 04/02, na sede da OAB Recife às 13h30.
 
A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, chega ao Recife nesta sexta-feira, para participar no auditório da OAB-Recife, de um ato que vai marcar dois anos da morte do advogado e ex-vereador de Itambé, Manoel Mattos.
 
Mattos, defensor incansável dos Direitos Humanos, foi morto por pistoleiros em janeiro de 2009, no litoral paraibano. Ele denunciava a atuação de grupos de extermínio nos municípios de Pedras de Fogo (PB), Itambé e Timbaúba (PE), e vivia sob constante ameaça de morte.

O caso de Mattos foi o primeiro no Brasil a ser federalizado por grave violação dos Direitos Humanos, por decisão do Superior Tribunal de Justiça. Para o deputado Fernando Ferro, de quem Mattos era assessor e amigo pessoal, é uma decisão histórica e abre uma nova perspectiva para os defensores dos direitos humanos. "É uma grande conquista política na luta dos direitos humanos, uma conquista que acontece pela primeira vez no Brasil e que abre espaço para que os defensores dos direitos humanos sejam mais resguardados. A decisão do Tribunal faz justiça contra uma barbaridade cometida com Manoel de Mattos", afirmou Ferro.
Postado por Ana Laura Farias
04/02 - ATO DOIS ANOS DO ASSASSINATO DO COMPANHEIRO 
MANOEL MATTOS




Ás 13.30 horas, na sede da OAB Recife, amanhã, dia 04/02, será realizado um ato pela passagem do segundo ano do assassinato do advogado, militante dos direitos humanos e membro da Executiva Estadual do PT-PE, companheiro MANOEL MATTOS. 

O ato contará com a presença da Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário,  confirmando  o compromisso do governo da Presidenta Dilma Roussef com a causa dos direitos humanos.



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

"Agora ninguém deixará de falar ou defender o governo por falta de informações", diz Sinézio



O líder de governo na Câmara do Recife, o vereador Josenildo Sinésio (PT), avaliou positivamente o encontro que teve entre a bancada do partido com o prefeito João da Costa, na Prefeitura do Recife. O parlamentar comentou que a antiga falta de comunicação entre Costa e os vereadores é um caso superado. "Não haverá mais problemas (falta de comunicação entre prefeitura e Câmara). Foi entregue um conjunto de informaçõess de tudo o que a Prefeitura do Recife faz e a alimentação vai ser feita diariamente pela Comunicação aos vereadores", garantiu.

Josenildo Sinésio reconheceu que a postura do prefeito anterior do prefeito gerou reclamações por parte dos vereadores. "Construímos uma estratégia de socializar as informações. Agora ninguém deixará de falar ou defender o governo por falta de informações", disse o petista. O vereador confirmou que prefeito e bancadas aliadas manterão constantes encontros para afinar o relacionamento e que no almoço, além da reaproximação, foi discutido o momento da atual conjuntura política, o início dos trabalhos legislativos, a atuação da bancada na Câmara, a unidade do PT com os aliados e a importância de estar unidos como governo nas três esferas políticas.

"O que se levantou foi a necessidade de sempre ter esses encontros, para estreitar cada vez mais a relação e estruturar a unidade. Mal a gente falou e o prefeito disse estar aberto para isso", comentou Josenildo. Quanto ao almoço em si, o petista gostou muito e afirmou que foi "simples e humilde, como é o almoçõ do PT".

Blog da Folha de Pernambuco
          EGITO
Os militantes esperam nas coxias 
Por: Syed Saleem Shahzad*, no Asia Times Online. Tradução: Vila Vudu
1/2/2011

Foto Al Jaazera
ISLAMABAD. Não há força de oposição no Egito, ainda que se considere a Fraternidade Muçulmana, suficientemente organizada, nesse ponto, para assumir o poder no caso de as manifestações públicas em marcha nas principais cidades do Egito levarem ao fim do governo de Hosni Mubarak e à queda do presidente.
Até agora, os protestos não apresentaram demandas estruturadas, além de clamarem pela queda de Mubarak, 83, há 30 anos no poder.
Um dos coringas do drama que se desenrola no Egito – onde um milhão de manifestantes tomam as ruas do Cairo hoje – são os cerca de 15 mil ex-militantes que foram libertados pelas cortes nos últimos dez anos, mas permanecem nas listas de observação dos serviços de segurança e agências de inteligência egípcios.
“Mártires são necessários para eventos, e eventos são necessários para revoluções. E sem revoluções não há avanço” disse hoje o destacado analista político paquistanês Farrukh Saleem no The News International. “Há revolução quando o descontentamento público leva ao rompimento da ordem estabelecida. As revoluções são espontâneas, com raízes em áreas política e economicamente desassistidas. As revoluções começam fora dos centros de poder, em áreas nas quais o mando do Estado seja fraco; depois, as revoluções movem-se na direção do centro do poder.”
Os milhares de militantes foram cercados e caçados entre o final dos anos 1990 e o início de 2001 por Omar Suleiman, ex-chefe da inteligência, que essa semana foi nomeado vice-presidente. Se o aparelho de segurança do governo Mubarak entrar em colapso, aqueles militantes bem podem ter o que dizer sobre a direção para a qual o país deve andar.
A maioria dos militantes pertencem ao grupo al-Gamaa al-Islamiyya e a inúmeras organizações clandestinas que brotaram durante e depois da Jihad afegã contra a União Soviética. Promoveram muita agitação no Egito ao longo dos anos 1980 e 1990, quando sequestros e ataques a turistas e contra as forças de segurança eram rotina.
A maioria dos grupos foram brutalmente dizimados pelos serviços de segurança; centenas de militantes foram executados, milhares metidos em prisões e vários milhares foram libertados depois de cenas de arrependimento e confissões públicas, obrigados, mesmo assim a apresentar-se regularmente às autoridades policiais para controle.
Esses militantes, com possivelmente centenas de outros que escaparam das prisões nos últimos dias, estão agora misturados à multidão pelas praças, com as forças de segurança obrigadas a enfrentar o que muito provavelmente é o maior desafio que jamais enfrentaram no Egito.
Durante o fim de semana, pela primeira vez desde o início das manifestações, semana passada, apareceu um primeiro sinal de atividade dos militantes islâmicos nas ruas, quando pelo menos quatro prisões foram atacadas e centenas de militantes islâmicos presos foram libertados. É amostra clara da vulnerabilidade de um aparato de segurança conhecido pela brutalidade.
O exemplo do Paquistão
No início dos anos  2000 no Paquistão, o regime o ex-presidente general Pervez Musharraf atacou duramente organizações militantes como Sepah-e-Sahabah, Harkatul Mujahideen, Laskhar-e-Taiba e Jaish-e-Mohammad. E tomaram-se medidas estritas para evitar que os membros desses grupos se unissem a grupos ligados à al-Qaeda.
Apesar disso, o início de atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais do país mobilizou imediatamente aqueles militantes, e não houve mecanismos das estratégias de contraterrorismo que os detivesse e, sim, eles logo apareceram aliados à al-Qaeda para lutar contra o establishment.
No Iêmen, o quadro é semelhante. As operações anti-al-Qaeda no início dos anos 2000 praticamente eliminaram a al-Qaeda no país. Mas imediatamente depois que alguns líderes militantes iemenitas escaparam da cadeia, começou a haver atividade de guerrilha de baixa intensidade nas áreas tribais – e essa ação despertou muitas células de militantes adormecidas em todo o Iêmen.
O Egito tem longa história de militância política de resistência, por mais que tenha permanecido adormecida há muitos anos. Emergiram facções militantes imediatamente depois do assassinato de Hasan al-Banna, fundador da Fraternidade Muçulmana, em 1948. O golpe militar e a consequente chegada ao poder do general Gamal Abdel Nasser em 1956, auxiliado por militares ligados à Fraternidade Muçulmana, reunificou a Fraternidade por algum tempo, a qual então se havia dividido em pelo menos três facções.
Depois, as diferenças que começaram a brotar entre Nasser e a Fraternidade levaram a longo período de repressão, que durou até meados dos anos 1960, quando a Fraternidade desistiu oficialmente da militância armada e abraçou as vias democráticas.
No início dos anos 1970, a Fraternidade Muçulmana e grupos de militância islâmica pareciam relíquias de museu, mas voltaram à vida no final dos anos 1970 e, no início dos anos 1980 já estavam capacitados para, sob o comando de Ayman al-Zawahiri, planejar um golpe de Estado. O golpe falhou por vários motivos, mas os militantes conseguiram assassinar o presidente Anwar Sadat em 1981.
Estudo atento da história da militância islâmica no Egito mostra que, embora tenha sido esmagada várias vezes, ela sempre renasce, mesmo que depois de muito tempo.
Depois do assassinato de al-Banna, os movimentos militantes surgiram como reação ao crime. Do final dos anos 1950 até os 1960, a militância assumiu traços de fundamentalismo extremamente ideológico e declarou que o Egito seria sociedade de hereges. Foi o início de uma rebelião, mas foi controlada até meados de 1970, quando o reatamento de relações diplomáticas entre Egito e Israel deu novo alento aos militantes, ação que culminou com o assassinato de Sadat.
Jihad afegã nos anos  1980 deu nova dimensão à militância islâmica, que trabalhou por uma revolução islâmica no Egito. Mas no início dos anos 2000, as autoridades outra vez retomaram o controle.
Agora, aí estão os protestos de massa gigantes no Egito, e a militância pode renascer – dessa vez, com uma outra dimensão: nos palcos de guerra do Afeganistão e do Iraque, as guerrilhas são lideradas pelo campo egípcio controlado pela al-Qaeda, e o levante nas ruas do mundo árabe pode garantir popularidade sem precedentes ao radicalismo. (Ver “Al-Qaeda’s unfinished work” [O trabalho não concluído da Al-Qaeda], 1/2/2011, Asia Times Online, em português, aqui].
*Syed Saleem Shahzad é editor-chefe da sucursal de Asia Times Online no Paquistão

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

LEMBRANÇAS DO CINE BIJOU IV




Esta sessão foi inspirada pelo artigo CINE BIJOU VIVE, do qual publico alguns trechos abaixo. O CINE BIJOU, o seu ambiente político, e claro, os filmes que ali assisti contribuiram muito para minha formação política e ética na juventude. Por isso, aqui minha saudação àqueles que buscam resgatar a história e o papel daquela instituição.

CINE BIJOU VIVE(*)
Gabriela Moncau

"Uma sala pequena, com pouco mais de 100 poltronas de couro vermelho, número 174 da Praça Franklin Roosevelt, no centro da cidade de São Paulo. Ali foi inaugurado, no inínio dos anos 1960, o Cine Bijou, espaço que exibia os chamados 'filmes de arte', alternativos à hegemônica indústria hollyoodiana e que compunha o cenário efervescente da cultura alternativa da Roosevelt, na contramão dos repressivos anos de chumbo.
O Cine Bijou durou até 1995, quando, junto com a deterioração da Praça Roosevelt, fechou suas portas.
Passados 15 anos, um projeto de resgate histórico desenvolvido pelo Núcleo de Preservação da Memória Política (NPMP) - formado por militantes, ex-presos e perseguidos políticos no período da ditadura - em parceria com o Sarau Quilombo Cidade Ademar e o Teatro Studio 184, traz à vida o antigo Cine Bijou, exibindo filmes gratuitamente de 15 em 15 dias, aos sábados, às 15 horas.
Danilo Dara, historiador e filho de ex-militantes da Libelu(**) (Liberdade e Luta, organização estudantil que lutou contra a ditadura militar), que sempre ouviu nostalgicamente seus pais falarem dos tempos em que frequentavam o Cine Bijou, hoje é um dos idealizadores desse projeto de realtivação. Ele conta que a idéia nasceu 'do intercâmbio de experiências, de concepções políticas e históricas entre militantes com mais tempo de caminhada e nós, mais jovens'. Dara explica que 'esta ponte entre jovens militantes e lutadores de outros invernos, bem como a ponte entre a experiência de resistir à ditadura (nos anos 1960 e 1970) e a experiência de resistir à violência da democracia, sobretudo nas periferias (dos anos 2000), estão no cerne do projeto'."

(*) Trechos de artigo publicado na revista CAROS AMIGOS, nº 165.
(**) Corrente Estudantil em que militei nos anos 1970, na USP.